segunda-feira, 7 de novembro de 2016

SINTRA...HOSPITAL E A NOSSA "SORTE" COM POLÍTICOS...

A notícia pode ter caído como uma bomba de fragmentação e é susceptível de causar danos colaterais nessas personalidades que por aí andam muito agitadas, quando o bom senso e as cautelas (tal como os caldos de galinha) deviam ponderar.

Não vamos falar como afinal foi fácil, num estalar de dedos, mais 2 (dois) Hospitais para Sintra, um que já era e serve parcialmente e outro que na propaganda usa os nomes de "Hospital" e "Polo" ou vice-versa, causando a natural baralhação qualitativa.

Deixaremos que os profissionais do humorismo, talvez mesmo do humor negro, se encarreguem de explorar até à exaustão a súbita veia realizadora sintrense, desde há uns três meses, depois de passados três anos sem resoluções dos grandes problemas.

Nem apreciaremos como deve ser visto politicamente que um Ministro em tempo de discussão do Orçamento Geral do Estado...logo esteja decisor da criação do dito Hospital em Sintra e da alteração do nome de outro, com mais um piso a ser construído.

O que vamos precisar é de ser o Senhor Ministro da Saúde a anunciar o que vai fazer  ou um seu porta-voz que não será, estamos convictos, o presidente da Câmara Municipal de Sintra. Ou será que agora as posições se inverteram?

É destes políticos que devemos gostar?

Em Dezembro de 2014, o presidente da Câmara de Sintra a propósito do "intolerável" caos nas urgência do Hospital Fernando da Fonseca, lamentava que o Ministério da Saúde ainda não tivesse assinado o protocolo para quatro novos centros de saúde. 

Na ocasião, admitia a necessidade (que se esbateu) de "um hospital de rectaguarda". 

Em Março de 2016, quando o Hospital Fernando da Fonseca passou a dispor da Viatura Médica de Emergência (VMER) o presidente da CM de Sintra "aguardava" que fosse possível a construção de centros de saúde, principalmente em Agualva e Queluz.

O súbito despertar para um Hospital em Sintra, com tudo na nuvem, faz recear que estejamos perante pouco aceitáveis manobras eleitorais. Vejamos, até, porquê:

Um facebookiano socialista, por sinal presidente de uma junta de freguesia e, ao que se admite (pelo que se lê...) próximo ou em vias de o desejar ser do presidente, comentava, muito recentemente, a propósito de se reclamar um hospital para Sintra:
"Falar num hospital para Sintra quando deixámos a rede de cuidados primários chegar ao estado a que chegou não é sequer sério do ponto de vista intelectual" 8.10.2016
"Não faz parte dos projectos dos políticos porque é neste momento absolutamente inviável olhando à rede de hospitais que rodeiam o concelho. (...)." 8.10.2016
"O PS não prometeu o que sabia não ir cumprir. Neste momento o foco e a preocupação é em recuperar o atraso nas infraestruturas da rede de cuidados primários". 8.10.2016
A uma sugestão de se pressionar o Ministro da Saúde: "Mas pressionar como? Para quê? Para lhe pedir um hospital que depois ele não tem como preencher de recursos? Para ele construir um hospital que perdeu o seu sentido com Loures e Cascais?  
Pela nossa parte, ficamos boquiabertos tendo em conta - ou admitindo - que quem dá as boas notícias e quem faz os comentários manterão frequentes contactos em reuniões de cariz político onde, por certo, estas matérias são discutidas.

Só falta o "lançamento" de mais uma pedra...e o local ser cercado de bandeiras para chamar mais a atenção. Que desolação.

Será que haverá algum desespero por causa da oposição?




Nota: Até ao momento, ainda não nos apercebemos que os órgãos de informação tenham procurado saber, junto do Ministro da Saúde, pormenores sobre este anúncio, datas previsíveis para estudos, concursos, arranque de obras e entradas em funcionamento.

6 comentários:

Maria Cunha Vilela disse...

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse hoje, na Figueira da Foz, que o novo polo hospitalar de Sintra adotará um modelo “muito parecido” ao do hospital do Seixal.

A futura unidade de saúde – que “não é um novo hospital, como o senhor presidente da Câmara de Sintra referiu” – será “um polo do Hospital Amadora/Sintra [Hospital Fernando da Fonseca], sem internamentos e muito parecido ao modelo do hospital do Seixal”, afirmou o ministro.

Adalberto Campos Fernandes falava hoje, na sessão de encerramento da 7.ª Reunião Anual da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), que decorreu, desde quinta-feira, num hotel da Figueira da Foz.
O novo polo hospitalar terá “cuidados integrados e continuados”, acrescentou, adiantando que também está prevista a possibilidade de ampliar o Hospital de Cascais”.

Então, “sim, quer Sintra, quer a Grande Lisboa, quer a região da Amadora” ficarão aliviadas das “pressões e tensões de procura [hospitalar] que são difíceis de superar sem uma intervenção profunda, quer na estrutura, quer na organização”, sublinhou.

Sobre o facto de o novo polo não dispor de verbas afetadas no Orçamento de Estado para 2017 (já aprovado na generalidade pela Assembleia da República), Adalberto Campos Fernandes disse que o projeto “resulta de uma parceria” que irá ser desenvolvida com a Câmara de Sintra.

“Brevemente teremos notícias”, concluiu, escusando-se a adiantar pormenores.

Localização do hospital de Sintra

O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, disse à agência Lusa, na sexta-feira, depois de se ter reunido com Adalberto Campos Fernandes, que o Ministério da Saúde vai investir na construção de um polo hospitalar em Sintra e no alargamento do Hospital de Cascais.

O autarca adiantou que vão avançar os estudos preliminares para o novo hospital, que deverá ficar localizado em Sintra, junto ao IC16, numa área “entre 20 a 30 mil metros quadrados”.

“O senhor ministro tenciona assinar o protocolo para o polo hospitalar de Sintra com a câmara na última semana de janeiro”, acrescentou Basílio Horta, notando que a autarquia avança com o investimento inicial e só em 2018 é que as verbas entram no Orçamento do Estado. Jornal Sintranoticias de 7/11/16

Fernando Castelo disse...

Estimada Maria Cunha Vilela,
Muito grato pela sua gentileza em colocar aqui a notícia integral.
Na realidade, pela notícia, o maior núcleo populacional da região de Lisboa (excepto a cidade de Lisboa) agora - segundo o presidente da câmara de Sintra - com 410.000 pessoas inscritas, continuará sem um Hospital para atender e internar os residentes.
Sabendo-se da Área do Concelho (319 km2) muitos doentes continuarão a fazer dezenas de quilómetros em grande parte dos casos, consoante a gravidade.
Todos sabemos que não é de um momento para o outro que se constrói um Hospital, mas anunciar-se da forma como foi feito não é bonito.
Mais uma vez muito obrigado.

Antonio Manuel disse...

Mais uma treta em tempo de pré campanha para as autarquicas, protagonizada por mais um socialista que nada tem feito pelo concelho.
Num concelho que tem por exemplo um centro de saude em Rio de Mouro que não tem sequer urgências à noite e ao fim de semana como já teve no passado, que tem uma enorme população inscrita e sem médico, onde em casos de urgência básica mandam literalmente as pessoas ou para o centro de saude de Mem Martins ou para a Messa,vem agora este Presidente de camerazinho MENTIR à população dizendo-lhes que Sintra vai ter um Hospital.
Espero, mas não acredito, que a população de Sintra nas proximas eleições lhe dê o que merece, a ele e a toda esta corja de "politicos " de mão estendida.

Fernando Castelo disse...

Caro António Manuel,
Grato pela sua visita a este modesto blogue.
Realmente, tudo indica que vamos ter uma versão melhorada da Urgência Básica de Mem Martins, com uma outra função ligada: Internamentos de curta duração, não para doentes recebidos nesse Polo, mas enquanto aguardam para ir ou é preciso deixarem camas vazias no Amadora/Sintra.
Volte sempre.

António disse...

Como Sintrense de gema, não retiro uma única palavra de tudo o que tenho dito e comentado sobre o Hospital e Centro de Saúde. E vou repetir-me; SINTRA necessita urgentemente de um HOSPITAL a sério e bem gerido e não de Polos ou remendos, SINTRA necessita urgentemente de um centro de saúde de raiz, capaz de responder aos anseios da população. A CMS deve e tem a obrigação de exigir isso mesmo do poder central, poderá até oferecer-se em parcerias, mas nunca se substituir ao Ministério da Saúde ou ARSLVT, está provado que não resulta. Tudo o que sair fora disto apenas serve para entreter. Para tudo isto são precisas palavras sérias a uma só voz, a do presidente da CMS. Todos os outros papagaios que num dia dizem uma coisa e no outro se contradizem, isto só prejudica a actuação do presidente.

Fernando Castelo disse...

Caro visitante António,
Muito grato por frequentar este blogue.
Estou totalmente de acordo consigo, porque do que precisamos é de medidas no terreno e não fantasias de populismo.
Um abraço