quarta-feira, 30 de setembro de 2015

SINTRA, GABINETE DO PATRIMÓNIO E "AMIGOS DA VILA VELHA"

A recente abertura do Gabinete do Património Mundial - Paisagem Cultural de Sintra poderá influenciar a resolução de situações anómalas que se têm arrastado no tempo.

Dizemos "poderá" porque - pelas notícias vindas a público - o Gabinete pode ser apenas mais uma peça na engrenagem, já que parece ser mais "consultivo e informativo".

"Não há paisagem cultural sem pessoas" e "A melhor forma de gerar cultura passa pela valorização do património", afirmou o Presidente da Câmara Municipal de Sintra.

Se não forem palavras de circunstância, iremos saber como se gera cultura onde um dos celebrantes pratica preços quase proibitivos e impede os jovens de entradas gratuitas.

Um sintrense de gema a coordenar o Gabinete

O Gabinete é coordenado por João Lacerda Tavares, actual Provedor da Santa Casa da Misericórdia, um sintrense conhecedor de Histórias e figuras Locais, julgando-se que contará com verdadeiros Técnicos Especialistas, todos do Quadro Camarário.

Ouvir os residentes na Vila Velha

Os "Amigos da Vila Velha" representam o que de mais genuíno e puro em pessoas se pode conceber na defesa da vida e do Património do Centro Histórico.


Manifestação Cívica dos "Amigos da Vila Velha" (No edifício do antigo hospital)

Estes "Amigos da Vila Velha" são pessoas normais que tipificam - no seu todo - a verdadeira sociedade sintrense. Na sua dedicação não entram corridas estatutárias, são discretos e fogem de exibições no painel divisionista da defesa do património. 


Forma bem peculiar de intervenção pública dos "Amigos da Vila Velha". Com tantos anos...

Pegando na alusão a pessoas feita pelo Presidente da Câmara, os "Amigos da Vila Velha" são pessoas simples, sem snobismos nem hábitos de beija-mão, não difundem currículos exaustivos, mas sabem - como ninguém - os problemas da Vila onde vivem.


Forma típica de denunciar usada pelos "Amigos da Vila Velha" ("levante a cabeça e veja o sinal")

Obviamente que um Gabinete instalado em plena Vila Velha, vocacionado para a "reabilitação do património" terá de ouvir mais os que lá vivem do que forasteiros.

Justifica-se, pois, que os "Os Amigos da Vila Velha" sejam considerados, eles que lutam com um amor exemplar pela sua terra, na defesa do espírito do lugar onde nasceram.

Eles sentem os problemas e necessidades locais antes de todos, com mentalidade saudável e discretos, sem projectos ocultos nem necessidade de intermediários.



Nota: Ao que julgamos saber, pela colaboração da União de Freguesias de Sintra na disponibilidade do espaço e porque quase todo o Património a defender se encontra na Área dessa União, justificava-se um referência a esse Órgão e seus habitantes. 

Goste-se ou não, concorde-se ou não com a extinção das anteriores Freguesias, a União de Freguesias de Sintra é o Poder Local mais próximo e legitimado.

Também os "Amigos da Vila Velha" não mereceram um convite para a sua presença.

Terá sido uma questão de classe...ou de "convivências" aristocráticas?



terça-feira, 15 de setembro de 2015

SINTRA: LEMBRAR MILY POSSOZ

Mily Possoz, discreta mas prestigiada figura de Sintra

Durante mais de 20 anos, praticamente até quase à data do seu falecimento, Mily Possoz viveu no Centro Histórico de Sintra, no nº. 3 das Escadinhas da Fonte da Pipa.

Nesta casa viveu Mily Possoz

A porta de acesso à habitação da grande artista (o número 3 das Escadinhas da Fonte da Pipa)

Que bem ficaria e que prestigio seria para a História de Sintra que existisse uma Lápide a identificar a casa onde viveu uma inequívoca figura das Artes e pessoa distinta.
  
Quem era esta grande mulher, de aspecto franzino, que pintou Sintra nos mais diversos pormenores? Da sua história de vida, encontrámos um soberbo trabalho de Mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro, por Maria Pilar Antunes Mendes.

Sem "amigos de peito"

Embora residindo, em permanência, no Centro Histórico, a Senhora passaria quase despercebida, facto que não lhe granjeou "amigos de peito" que se empenhassem em recordar o local onde viveu com uma simples lápide, como simples ela era.

Mily Possoz, tão sintrense como os melhores, foi apenas um dos expoentes máximos do Primeiro Modernismo Português, ao nível da pintora Maria Helena Vieira da Silva...

Artista em desenho, pintura, gravura e ilustração, as suas obras espalham-se desde os Museus de Arte Moderna e do Chiado até várias Fundações no Estrangeiro.

Paysage à Sintra (imagem de Place des Arts, Paris)

Também encontrámos interessantes referências a Mily Possoz numa página da Web que recomendamos (clique por favor), onde se podem rever a Capa e belíssimas páginas do Livro da 2ª. Classe que vigorava em 1958:

Capa da autoria de Mily Possoz

Credora do reconhecimento e homenagem 

A Câmara Municipal, na sua Colecção de Arte, possui obras de Mily Possoz, onde as paisagens de Sintra foram artisticamente reproduzidas para a História.

MIly Possoz foi uma das mais prestigiadas artistas da sua época e é credora do reconhecimento público pela sua Obra e dedicação a Sintra.

"Sintra - Castelo dos Mouros e Palácio da Pena" gravura sobre papel (retirado do www.blogger.com)

Que razões terão levado a que em Sintra não haja uma Rua, uma Praça, com o nome de MIly Possoz? Curiosamente essa Homenagem foi feita em Cascais.

Talvez uma falha dos historiadores sintrenses que a Câmara Municipal poderá reparar.

Digamos, até, que 47 anos depois da sua morte, o nome de Sintra está perpectuado nas sua obras, devidamente apreciadas em muitas Colecções Públicas e Privadas. 

Faltam uma Lápide onde viveu, Rua ou Praça de Sintra em sua Homenagem.

Estamos a tempo de corrigir a ingratidão de ter sido esquecida.



domingo, 13 de setembro de 2015

SINTRA: CÂMARA E SMAS, DEVEM DEFENDER CONSUMIDORES

No passado dia 10, voltámos a abordar a questão da devolução das Cauções (clique por favor)considerando que existem condições objectivas para que valores fiduciários entregues a título de garantia sejam apropriados por indirecto fiel depositário.

Estando as Cauções não devolvidas à ordem da Direcção Geral do Consumidor (Instituto do Consumidor) o elevado montante cria desinteressadas preocupações.

Curiosamente, o dinheiro não devolvido aos consumidores e legítimos donos, destinar-se-à - entre outros - a "Projectos (...) de promoção dos direitos dos consumidores"!

SMAS e câmara devem defender consumidores sintrenses

Passados 8 anos, é altura da Câmara Municipal e seus Serviços Municipalizados, defenderem os consumidores sintrenses que confiaram Cauções.

Não valerá a pena estribarem-se em diplomas legais ou no envolvimento de outras entidades prestadoras de serviços essenciais sem qualquer ligação à Autarquia. 

É certo que, chegada a altura de devolver dinheiro, as diversas entidades ajustaram entre si várias exigências limitativas, não se excluindo empurrões de umas para outras. 

Os SMAS seguiram a cartilha comum, quando - na defesa dos sintrenses - poderiam ter alertado a entidade reguladora para a necessidade de soluções expeditas. 

Aliás, o Artº. 3º. do DL 100/2007, prevê "nomeadamente, a possibilidade de a restituição das cauções se efectuar por compensação de débitos nos contratos activos ou em execução". Porquê inventar-se uma complicada grelha para as devoluções?

De burocráticas teias feitas por aranhas virtuosas, o êxito das não-devoluções encaminhou para um Instituto Público quase 18 milhões de euros (de um total próximo dos 26 milhões) que são património dos consumidores de várias entidades. 

Neste quadro, como o final do prazo para a devolução de Cauções está fixado em Dezembro, certamente que Câmara e SMAS poderão ainda intervir junto do IRAR para que a legislação e regras fixadas sejam ajustadas de forma a facilitar os reembolsos. 

Só assim os Consumidores terão confiança nas diversas entidades envolvidas.

Opinião escrita há 8 anos

Sobre os problemas criados pelos SMAS aos seus Consumidores para terem de volta as Cauções, voltamos a escrever em 7 de Setembro de 2007 no Jornal de Sintra.

É o texto que abaixo recordamos para uma melhor apreciação.



               EDITAL DOS SMAS e CONSUMIDORES

“Ana M. saiu de casa às 9 horas e 10 minutos, andou 500 metros a pé e só teve carreira para Chão de Meninos às 10 e 40. Mais 15 minutos à espera do Sintraline e estava na Junta. Era um dia de sorte para Ana M. pois constava na Lista dos SMAS, não com 54 cêntimos ou 1 euro, mas com 2 euros e 49, pecúlio que teria de comprovar ter pago. Regressou já em hora de almoço, meditando nos 5 euros gastos em transportes. Desistiu para evitar mais despesas” 

O “EDITAL” dos Serviços Municipalizados de Sintra sobre devolução de Cauções, por certo com competências delegadas pelo senhor Presidente da Câmara, justificaria a eliminação de burocracias, entre elas algumas emanadas do IRAR (Instituto Regulador de Águas e Resíduos).

A devolução das cauções é um imperativo no Estado de Direito, sendo valores depositados temporariamente pelos titulares dos contratos, para segurança dos prestadores de serviços. 

Quando se lê que os consumidores “poderão reclamar o reembolso das cauções”, parece que se trata de um direito aleatório e susceptível de não devolução pelos SMAS, o que não é realidade.

Não se trata de uma mera habilitação a benefícios ou concursos, mas sim do direito à devolução de um valor confiado, pelo que é estranha a fixação de um prazo de 180 dias para reclamar. A menos que uma varinha mágica venha a transformar as cauções em bens próprios dos SMAS.

Acresce a contradição entre as Listagens dos Serviços Municipalizados, onde constam as cauções pagas e seus titulares, e o “EDITAL” que exige ao “titular do contrato” que se faça acompanhar “da guia comprovativa do pagamento da caução”.  

Claro que, pelo meio, há uma aparente lufada de simplicidade, quando o “EDITAL” explica como se torneia a situação: Quem não estiver na posse da “guia de depósito da caução” deve “declarar que a perdeu”. Nada mais simples…

Não subsistindo dúvidas quanto à titularidade do contrato, conciliada com a caução depositada, que mais será preciso para que as cauções sejam creditadas – sem mais pró-formas – em futuras facturas, sabendo-se que os consumidores sempre têm cumprido com os pagamentos devidos?  

Com a solução anunciada, não serão muitos os clientes dos SMAS com vontade de se perfilar e bater a pala às regras definidas, pesem os rigores da parte final do “EDITAL”: “Cumpra-se como nele se contém e que o mesmo se lavrou” para “ser afixado nos locais públicos do costume”, uma herança literária do passado que teimamos em manter no século XXI.

A complexa devolução das cauções

Confesso que não gosto de ligar às teorias pouco progressistas do meu amigo Palha, por acaso engenheiro de sistemas. Segundo ele “para bons resultados, a gestão deve ser estupidamente simples”, “eliminando-se as tentações alimentares dos burocratas”.

Num contexto de simplicidade, esperar-se-ia que os SMAS dessem um sinal de desapego pelas cauções, devolvendo-as aos seus legítimos donos de forma cómoda e prática, evitando que os seus serviços se venham a atafulhar com minutas, provas por bilhete de identidade, comprovativos, correspondência, faxes e talvez mais uma ou outra complicação.

Tanto mais que milhares de cauções são de valor tão baixo que não justificam os custos administrativos, embora possam constituir - se não forem pagas - um apetecível bolo financeiro.

Claro que, à primeira vista, até parece que os SMAS fizeram uma ampla divulgação, com o envio de editais para “Juntas, CMS e Delegações dos SMAS”. Mas quem sabe realmente?

Embora só existam 20 freguesias no concelho, foram feitas 22 “Listas de Clientes por Freguesia”, uma delas com o título “OUTRAS” e que “só” inclui 12.228 cauções para devolver.

Saliente-se que terão sido impressos pelo menos umas 27.080 folhas em papel A4, compondo os 22 cadernos entregues a cada uma das 20 Juntas de Freguesia (1.354 folhas por colecção). 

Será esta a visão de progresso para o sector público, como tanta gente deseja?

Investir com capitais alheios e juros

Ao longo de anos, os SMAS (e outros fornecedores de serviços essenciais) dispuseram do elevado montante das cauções que exigiram para prestarem um serviço, utilizando-o certamente em investimentos de que retiraram proveitos, apesar de não se tratar de bens próprios. 

Nesta lógica, os valores das cauções a devolver pelos SMAS deveriam ser majorados de forma ponderada pelo tempo que estiveram na sua posse, segundo a fórmula pró rata temporis que os mesmos serviços municipalizados aplicam quando algum consumidor se atrasa no pagamento.

Defesa dos consumidores e destino dos remanescentes

A temática das cauções envolve milhões de euros que pertencem a largos milhares de consumidores, pelo que é no mínimo estranho o silêncio e a pouca “sensibilidade” de forças políticas e sociais relevantes e, até, de organismos ligados à Defesa dos Consumidores.

Espera-se que as verbas de cauções remanescentes tenham um destino adequado, não devendo constituir mais-valias, aliás injustificadas, para as entidades prestadoras que as retiveram ao longo dos anos e das quais terão obtido benefícios suficientes.

É razoável que, para comprovar os resultados dos planos em marcha, venham a ser publicamente divulgados os montantes devolvidos e os que ficaram por devolver.

Da mesma forma, para a devida transparência, será indispensável saber-se qual o destino dado aos montantes das cauções sobre as quais não foram feitos os respectivos créditos.

Aguardemos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

NOVA IORQUE: EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO 11 DE SETEMBRO

Há 14 anos o Mundo ficou em estado de choque com os trágicos atentados que destruíram as Torres Gémeas em Nova Iorque e causaram milhares de mortes a inocentes. 

No local, em cada dia e cada momento, é sempre grande a consternação, emocionando fortemente quem imagina aquele cenário de destruição e morte.

Onde eram as Torres, existem agora memoriais, com a inscrição do nome de todas as pessoas que naquele dia ou depois perderam a vida. 

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Neste local era a Torre Sul 

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Com a remoção dos escombros, uma única árvore estava de pé. Hoje ela é um símbolo da vida

Em nome de todas as vítimas, um minuto de silêncio.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

SINTRA, SMAS, CAUÇÕES E MEDALHAS PARA BUROCRATAS

Medalha-se tanta gente só por se abanarem, que é tremendamente injusto não se medalharem, pelas duvidosas virtudes, os envolvidos na retenção das Cauções.  

Passados 8 anos, mais de 18 milhões de euros de Cauções continuam por devolver aos seus legítimos donos, aquecendo os cofres da Direcção Geral do Consumidor.

Como poderá um país desenvolver-se se a administração e seus agentes indirectos perseguirem a especialidade de burocratizar? Intencionalmente ou por defeito?

O arrastado processo do "Reembolso das Cauções" devido a milhares de consumidores é de tal forma paradigmático que envergonha TODAS as entidades envolvidas. 

O sistema montado pelos SMAS

O Decreto-Lei 100/2007, de 2 de Abril, concedia ao "Consumidor" o "Prazo de 180 dias para reclamar a restituição da Caução (...)". 

Os SMAS de Sintra - "EDITAL" de 29.05.2007 - tornou público o referido DL e que os "consumidores" "poderão reclamar o reembolso das cauções" sob um leque alargado de complexas validações. No final: "Cumpra-se como nele se contém".

Não iremos discutir se os SMAS tinham na época figura jurídica com poderes para emitir Editais, uma vez que estes constituem Ordens Oficiais.

Depois, foram enviadas listas - em triplicado - para as Freguesias (eram 20) dos consumidores com direito ao Reembolso (pelo menos 4062(*) folhas A4 impressas). O número de Cauções a devolver aproximava-se dos 89.642 (entre 0,54€ e 99,76€].

Os consumidores teriam de se deslocar às Freguesias para consulta das Listas. Em muitos casos, os gastos só em transportes seriam maiores que o reembolso a receber.

Poderia o sistema ter sido simplificado?

Obviamente que sim. Os consumidores titulares de conta activa (quantos deles com contas bancárias para lá irem buscar os pagamentos) seriam avisados do crédito a efectuar e, em futuras cobranças, haveria descontos na facturação. 

Outros, com base nos dados registados, seriam avisados do valor da restituição e das formas para receberem o seu dinheiro.

Do burocratizado sistema montado, talvez também usado noutras áreas, resultou que milhões das Cauções não fossem devolvidos.

Ganharam os Burocratas...perderam os cidadãos. 

Medalhem-se os ganhadores.

Na altura escrevemos sobre isso 

Na edição do Jornal de Sintra de 3 de Agosto de 2007, escrevemos sobre isto:


        OS SMAS E O REEMBOLSO DE CAUÇÕES

Há, pelo menos, duas formas de matar pulgas: A simplex, tradicional, em que se apertam as unhas dos polegares sobre as ditas a que se segue um ligeiro estalido e a do meu amigo Palha que as apanha, aperta suavemente os queixais, deita-lhe um pouco de insecticida na boca e a fecha, esperando que ela caia para o lado. O Palha justifica a sua forma tão peculiar com o facto de poder ter a pulga mais tempo.

Recordei este meu amigo, a propósito dos SMAS que, por decreto-lei de 2 de Abril, foram obrigados a restituir aos seus clientes as Cauções que cobraram aos seus clientes, a que chamam consumidores, sem as quais não forneciam um bem essencial como é a água.

Evidentemente que os SMAS, para as cobranças dos consumos, têm formas expeditas que disponibilizam nas facturas, o que se reflecte numa comodidade que se deve registar e outra coisa não seria de esperar.

Mas agora, para a restituição das Cauções, a coisa já é mais complicada.

Seria de esperar que imperasse uma forma tão simples como é a utilizada para cobrar, isto é, o crédito imediato nas facturas dos consumos – abatendo-a – porque segundo se julga saber os SMAS não fornecem água a quem não tem o respectivo contrato, tampouco que uns façam contrato e outros sejam os utentes ou consumidores.

Para ajudar os leitores, são cerca de 89642 Cauções, com montantes de 0,54 euros aos 99,76 euros, não escandalizando que se estime, por defeito, que o total a devolver seja superior aos 800 mil euros. Só na freguesia de Algueirão-Mem Martins são cerca de 12615 as Cauções envolvidas.

Se tanto não chegasse, além das freguesias há uma lista “OUTRAS”, que tem “apenas” cerca de 12228 Cauções para devolver, de difícil acesso à consulta por parte dos consumidores. Será que nem os registos informáticos e cadastrais dos SMAS sabem a que freguesias pertencem?

É dinheiro e, como diria o Palha, é muita pulga.

Mas não. Depois de dois ou três avisos, pedindo até a devolução de um destacável, quem não respondeu passou a constituir uma bolsa, até que reclame – diga-se que devidamente – aquilo a que tem direito por ser seu e não património financeiro dos SMAS.

È certo que em 29 de Maio último, os SMAS fizeram um Edital com regras de habilitação, mas o âmbito territorial e o elevado número de clientes, não devem induzir milhares de pessoas a caminharem de um lado para outro para a confirmação de constarem das listas. Por este Edital já têm que provar tudo, desprezando-se que, para pagamentos, os SMAS têm as portas abertas.

Vai daí, arranjou-se – salvo melhor opinião – outra forma genial de complicar a questão (ai como me volto a lembrar do Palha) que passa pela emissão de listagens por (e parece que para as) freguesias, com nomes e moradas ou locais de consumo, omitindo, nos casos em que se aplique, as localidades onde se encontram.

Por seu turno, os clientes desconhecem estes pressupostos e valerá a pena deslocarem-se às suas freguesia para confirmar se têm ou não a receber, se vão gastar – nalguns casos – mais em transportes? Bem, mas os consumidores nem sabem deste esquema que foi montado.

Estamos perante uma situação que requer bom senso e decisões simples, que não deixarão de passar pelo crédito puro e simples em futuras facturas.

Aqueles que já não são consumidores e cujas residências se desconhecem, certamente motivarão outro tratamento adequado.

De outra forma, o sistema pode ficar inquinado e não ajudará à respeitabilidade que é devida a instituições deste tipo, tanto mais que se desconhece o destino a dar ao montante não reembolsado e que não deixa de constituir uma mais-valia até certo ponto indevida.

Espera-se que a Administração dos SMAS fique agora sensibilizada e resolva de uma forma cómoda a forma de devolver aos “donos” das Cauções o que é deles.


(*) Este número peca por defeito, porque foram enviadas colecções completas a todas as Freguesias, bem como listas de "OUTRAS" não incluídas nas Freguesias.


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PARQUES DE SINTRA: ESPERA-SE DA NOVA ADMINISTRAÇÃO...

"Em 1992, a UNESCO alargou as categorias do Património Mundial e criou a de “Paisagem Cultural”. Sintra foi a primeira Paisagem Cultural na Europa, classificada em 1995. (do site www.parquesdesintra.pt)

Da nova Administração da PS-ML (Empresa de Capitais Exclusivamente Públicos) espera-se a solução de alguns desajustes Culturais recebidos da sua antecessora.

Um, a reposição de entradas gratuitas aos Domingos para TODOS os portugueses, acabando com o elitismo que diferencia os sintrenses dos outros portugueses. 

Onde já se viu que, pese a duplicação participativa dos sintrenses (em 85% do capital Público e em 15% Municipal) estes tenham direitos exclusivos? Só por cá.

Outro, que Parques e Palácios geridos pela PS-ML - pólos de Cultura - abram as portas que se foram fechando (pelo custo) aos jovens dos 6 aos 17 anos.

Que mal fizeram tais jovens para pagarem: - Palácio da Pena e Parque - 12,50€, só Parque - 6,50€; Palácio Nacional de Sintra - 8,50€; Castelo dos Mouros - 6,50€; Palácio Nacional de Queluz e Parque - 8,50€, Jardim - 3,50€; Monserrate - 6,50€.


"Gradeamento" cultural ao serviço dos mais abastados e favorecidos (junto ao Portão dos Lagos)

Da Direcção Geral do Património Cultural para a PS-ML

O Governo, ao retirar a gestão dos Palácios Nacionais de Queluz e Sintra (depois do da Pena) à DG do Património Cultural para a entregar à Parques de Sintra-Monte da Lua tinha objectivos, mais que "uma prova de confiança" como se lê em Relatórios e Contas. 

A "prova de confiança" seria correspondida com a receita do IVA (Palácios de Sintra e Queluz passaram de 0% para 23%; outros Palácios e Parques de 6% para 23%), um razoável pretexto para aumento de preços nas entradas e acabarem gratuitidades.

Assim, o direito Cultural de entradas gratuitas aos Domingos mantido pela DG do Património Cultural, foi patrioticamente substituído pela cultura de bilheteira. 


Uma rede que ainda deixa que se vejam - gratuitamente - jardins na Pena...

Gratuitidades: qual o âmbito da sua concessão?

Evolução das "Gratuitidades": Pena: 2011 - 20415; 2012 - 37344; 2014 - 39438; Castelo dos Mouros: 2011 - 3790; 2012 - 4922; 2014 - 6817; Monserrate: 2011 - 5701; 2012 - 10375; 2014 - 7693; PN Sintra: 2012 - 11221; 2014 - 12940; PN Queluz: 2012 - 3621; 2014 - 10477.

Com o fim das "gratuitidades" aos Domingos, seria suposto a sua significativa redução, fazendo fé...na boa fé dos decisores da eliminação. Mas o que temos?

Da média domingueira de 392 gratuitos na Pena (2011) saltamos para 758 em 2014; de 69 em Queluz (2012) passamos a ter 201 em 2014; O Palácio de Sintra de 215 (em 2012) só subiu para 248 em 2014. Não parece crível que se trate só de Munícipes.

Por isso, o número de "gratuitidades" que apresentamos (obtidos junto da PS-ML) leva a admitir outros cenários, nomeadamente com beneficiários que se repartem ao longo dos diversos dias do ano e não só nos 52 Domingos. Estarão incluídos os Guias?

Razoavelmente, seria interessante saber-se a decomposição das "gratuitidades", para não sermos levados a pensar que foi uma decisão arbitrária, com efeitos anti-culturais.

Tudo indica que a Administração, primeira interessada na eliminação de dúvidas, além do devido esclarecimento reconsiderará sobre as medidas tomadas e seus reflexos.

Mais de 643.510,83 Euros, custo da Administração em três anos

Claro que uma Administração preocupada com receitas e eliminação de "gratuitidades" aos Domingos para portugueses em geral (foi gentileza mantê-las só para residentes em Sintra), teria custos para os accionistas (Estado e Município). 

Em três anos (Relatórios e Contas de 2012 a 2014) foram mais de 643.510,83 Euros.

Seremos mais precisos: - "Remunerações Efectivas Líquidas" 531.400,48€; "Subsídios de Refeição" 12.352,40 €; "Renda de Viaturas" 58.299,94€; "Combustível" 30.992,78€ e "Comunicações Móveis" 10.465,23€. Três Administradores.

Resta-nos confiar na razoabilidade

Tudo indica que a matéria aqui colocada justificará correcções adequadas à realidade da nossa vida colectiva, numa época em que tão facilmente se fala em solidariedade.

Famílias portuguesas com poder económico queixam dos elevados preços para entrar em Parques e Palácios de Sintra. Portugueses mais desfavorecidos ficam à porta.

Enquanto isso, omitindo as dificuldades criadas aos portugueses, serão despropositadas as orgulhosas referências às elevadas taxas de visitantes estrangeiros...

Sendo a Empresa de TODOS os portugueses e não só de alguns, a situação actual é totalmente injustificada, pelas desigualdades e limitações Culturais.

Confiemos que a nova Administração corrija tão estranhas heranças.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SINTRA, TÃO LIGADA À HISTÓRIA DE CASCAIS

Quantos saberão que Cascais já fez parte do concelho de Sintra? Foi em 7 de Junho de 1364 que o Rei D. Pedro I outorgou "carta de vila a Cascais"  apartando-a de Sintra.

Como sabemos isto? Não, não queremos passar por historiadores...



Numa excelente exposição nos Paços do Concelho sobre a história de Cascais, ficamos a conhecer estes e outros belos momentos da História de Portugal. 

As visitas são gratuitas e saímos muito mais ricos nos conhecimentos.


Cascais, sempre uma excelente opção para passear

Aproveite o Domingo e, depois de visitar a Câmara, suba a Av. D. Carlos I até à estátua deste monarca e siga pelo Passeio D. Maria Pia até ao Marégrafo. À direita, com entrada igualmente gratuita, tem a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz.

Aprecie as antigas construções, agora visíveis graças a um longo e dedicado trabalho de especialistas, completadas com histórias por vezes chocantes de outras épocas.

Exterior da Fortaleza

Parte da prisão onde estiveram presos políticos atingidos por um surto de cólera

Não deixe de subir à Torre de Santo António, de onde pode desfrutar de imagens fantásticas que enriquecerão o seu Banco de Imagens. 

Bela vista sobre Cascais com o Marégrafo em primeiro plano

Ali perto - acedendo gratuitamente à Cultura - no Museu Condes de Castro Guimarães apreciará belas e valiosas obras de Pintura Naturalista (*), nomeadamente de Columbano, Malhoa e José Júlio Sousa Pinto.

Columbano

Malhoa

José Júlio Sousa Pinto

Ficam as sugestões para Domingo, com votos de que o passe bem. 


(*) - Colecção Millennium BCP