quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SINTRA 2007/2011 - 1425 DIAS À ESPERA DO FONTANÁRIO

E já lá vão 1425 dias desde que a histórica fonte neo-manuelina da Estefânia, ali no Largo Afonso de Albuquerque, em plena Sintra, foi retirada do local, depois do roubo parcial da sua parte superior. O local foi rapidamente reparado, como se vê:


Depois de, em 15 de Julho, me ter sido informado (registo 3452/GAM/2011) que o processo foi remetido ao Departamento de Ambiente, Serviços e Gestão Urbana, o silêncio camarário mantém-se. Ver mais pormenores aqui.

A falta de resposta dos diversos serviços e responsáveis, nomeadamente do Senhor Presidente da Câmara, fazem recear - neste momento - pelo património em causa.

Onde está a fonte? Está a ser recuperada? Desapareceu?


Face à inconsequência do pedido feito em 30 de Junho deste ano ao Senhor Presidente da Câmara, para desenvolver o que se tornasse necessário a fim de sabermos algo sobre a localização e recuperação da fonte, apenas nos resta

APELAR A QUEM POSSA TER VISTO UMA FONTE MANUELINA SEMELHANTE, O FAVOR DE NO-LO COMUNICAR.

Como é possível que se fale em património sintrense e se proceda desta forma?

Mas não há responsáveis?  Ou o silêncio é a melhor solução?

De qualquer forma, nesta nossa Sintra dos mistérios, este adensa-se...







segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SINTRA: CÂMARA, EDUCA, HPEM E DÍVIDAS A FORNECEDORES...

O facto das Câmara Municipais estarem legalmente obrigadas a divulgar as dívidas a fornecedores, bem como atrasos no pagamento, não agradará à maioria dos autarcas.

A divulgação pública, além de permitir que se coteje o que não é pago enquanto se propalam gastos, obriga ao bom senso antes de se criarem novos encargos.

Poderá, até certo ponto, cercear o palavreado subjectivo e oportunista, promocional à custa de gastos desadequados, uma vez que muitos dos políticos envolvidos não denotam preocupações pelos reflexos económicos do arrastar de dívidas que podem ameaçar a viabilidade dos credores. No fundo, os credores é que são investidores…

Ao mesmo tempo, se muitas Câmaras já têm dívidas que baste, também algumas das suas Empresas Municipais as completam no endividamento.

Para fugir às responsabilidades – mas mexendo os cordelinhos de nomeações, exonerações e influências – muitos autarcas usam as Empresas Municipais, mas os seus dedicados Administradores é que responderão legalmente pelos actos de gestão.

Dívidas a fornecedores da Câmara Municipal de Sintra

No passado dia 11 de Julho, referimos que as dívidas a fornecedores em 31.12.2010 ascendiam aos 15,99 milhões de euros, embora a CMS – pelo nº 5 do artigo 183º do OE2011 – tenha divulgado que nessa data as dívidas eram de 8.603.909,92 euros.

Recentemente soube-se que, em 30.6.2011, as dívidas a fornecedores era de 14.833.181,80 euros, confirmando que tínhamos razão sobre os valores de 2010.

Como é possível que os Senhores Autarcas durmam descansados quando – da dívida a fornecedores, acima referida – 10.213,809,35 euros são superiores a 360 dias e 3.245.699,74 euros entre os 180 e 360 dias? Os credores são quem faz obra!

Espanta que não surjam credores a exigir pagamentos. Porque será?

Dívidas a fornecedores de Empresas Municipais

Vejamos agora, com dados de 30 de Junho de 2011, as duas maiores Empresas Municipais: EDUCA e HPEM.

A EDUCA devia – só a fornecedores – 6.648.310,00 euros, dos quais 2.150.220 euros com mais de 360 dias e 1.190.590 euros entre 180 e 360 dias.

Por seu turno a HPEM devia a fornecedores 8.267.820 euros, com 2.102.960 euros de facturas com mais de 360 dias e 2.639.210 euros entre os 180 e 360 dias.

Em síntese, só duas EM agravaram a dívida da Câmara com mais 14.916.130 euros.

Mais, entre 31.3.2011 e 30.6.2011 (com eleições pelo meio), a dívida a fornecedores destas EM aumentou 2.003.170 euros…(EDUCA 1.707.170 € + HPEM 296.000€).

Neste cenário, espelha-se como os nossos impostos têm sido geridos e até onde chega a dedicação dos autarcas e administradores envolvidos, alguns até se apresentando como acérrimos defensores das empresas públicas.

Quando o Governo do PSD e CDS caustica os trabalhadores e a classe média com impostos e penalizações, já não são só os munícipes de Sintra que exigem explicações: são os portugueses que andam a pagar a crise que não criaram.

sábado, 27 de agosto de 2011

CURIOSIDADES...

Quem procurar...boa sombra pode encontrar!


Largo Afonso Albuquerque - SINTRA (PT)


terça-feira, 23 de agosto de 2011

SINTRA E O RESPEITO PELA ZONA RURAL

Como o Plano De Gröer tem duplicidades interpretativas, adoptado com rigor para o centro da Vila de Sintra mas menos valioso para as aldeias da zona rural, vamos aqui relatar mais uma das histórias de que a Abrunheira é fértil.

Diga-se, antes de mais, que a Abrunheira é uma das aldeias envolvidas na "Zona Rural de Protecção de Sintra" e pertence a uma das freguesias matriz de Sintra.

De tal forma, que a maior parte das construções não pode exceder os dois pisos, sendo fixado que a "margem de recuo obrigatório do eixo de todas (...) as vias deverá ter, pelo menos, 10 metros".

Imaginem os estimados leitores que, desejosos de viver numa aldeia sossegada, lá se instalavam, confiantes de que a Câmara Municipal preveniria toda e qualquer excepção às regras de construção e altura das cérceas, rondando os 6 metros.

Mas às vezes há surpresas.

Como esta que, de um dia para o outro,  apareceu na zona mais antiga da Abrunheira, na Rua do Forno, como se pode ver:


Vendo-se as construções ao fundo e do lado esquerdo da foto, certamente notarão alguma divergência estrutural, alguma incompatibilidade com as regras urbanas, quer de uma aldeia quer de qualquer outro espaço em zona habitacional.

Com uma cércea de 7,15 metros e a uma distância muito curta da via.


Tudo dentro da mais estrita legalidade. De tal forma que, em documento assinado pelo Senhor Presidente da Câmara, diz-se claramente que "a Rua do Forno e toda a sua envolvente próxima estão maioritariamente  inseridos na clase de espaços urbanos do aglomerado da Abrunheira, na carta de Ordenamento do PDM de Sintra".

Mas, no parágrafo seguinte, diz-se: "Num pequeno traço do lado nascente do arruamento, os terrenos próximos estão inseridos na classe de espaços industriais".

O azar de quem mora ali há 50 anos ou mais: maioritariamente a "envolvente" está inserida no PDM, mas um pequeno traço do lado nascente deu sem efeito o PDM!!!

Infelizmente para a Abrunheira, tal como a construção do posto de gasolina em zona residencial, esta obra ficará na história da passagem do actual Presidente da Câmara.

Estou certo que, mais cedo do que tarde, o "grandioso" armazém será apadrinhado pelas gentes da Abrunheira com o nome adequado. Por mim, já escolhi.


No mínimo, inacreditável...

sábado, 20 de agosto de 2011

CURIOSIDADES...

Tentáculos sobre o património...



Ta Prohm Temple - Angkor - Siem Reap (Combodia)


.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

SINTRA: MAU ESPELHO DO AMBIENTE E DA HISTÓRIA

Desde 2008 que, em cadeia ascendente de responsáveis, procuro que as entidades acabem com os desmandos ambientais e históricos no Largo de Santo António, na Abrunheira, uma aldeia que faz parte da matriz da Vila de Sintra.

Primeiro, confiei na Junta de Freguesia de S. Pedro e Câmara Municipal de Sintra. Depois na Polícia Municipal, que manteve o silêncio comigo. Segui para a anterior Ministra do Ambiente e, recentemente, mais duas vezes para a actual equipa da Sra. Dra. Maria Assunção Cristas.

Como imagem, representam, de forma solidária e homogénea, as autoridades que os cidadãos sustentam, na esperança de actuarem “A Bem da Nação”.

Aos envolvidos e citados, sem querer ferir os sentimentos dos omitidos, sinto-me na obrigação de apresentar uma espécie que apareceu no local: a rã-verde da foto abaixo, a qual, com outras da sua espécie, se divertem sobre um tapete verde de limos (não sintéticos) nos lavadouros que fazem parte da história da Abrunheira.


A rã-verde tem, como habitat, entre outros, os charcos, pântanos e lameiros.

A água corria para o rio…

Sucede que, por motivos que as autoridades deveriam averiguar, as águas que deveriam correr para o rio – como acontecia há dezenas de anos quando era comum lavar a roupa nos lavadouros – passou a ter algo que a retém a jusante, estagnando-a e originando mosquitos, maus cheiros e sujidades de várias espécies.



Largo de Santo António e lavadouros fazem parte da história

Em certa altura, por intervenção de moradores (o Largo estava quase a ser “absorvido”), a Câmara Municipal de Sintra, com dinheiros públicos, recuperou o Largo de Santo António e os Lavadouros, incluindo uma cuba de pedra onde bebiam os animais.

No dia 29 de Junho de 2000, a obra patrocinada pela Câmara Municipal de Sintra foi oferecida aos moradores, que se encarregam da limpeza do Largo.

A parte dos lavadouros, por força da retenção de águas, tem-se degradado e isso reflecte-se na má imagem do local.


Espera-se que os responsáveis pelo Ambiente actuem

Aparentemente, alguém terá impossibilitado que as águas corram livremente para o rio, como sucedia há longos anos, facto que é exigível seja averiguado.

Outra situação, relaciona-se com a falta de limpeza da zona dos lavadouros por parte das entidades a quem está atribuída a limpeza de espaços públicos.

Por último, especula-se sobre as razões que levam à inacção por parte das entidades responsáveis, ou o que estará a contribuir para que não actuem.

Tudo isto não pode passar sem uma resposta adequada, porque há responsáveis.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SINTRA: A BRISTOL RESSUSCITADA!


Uma boa notícia para Sintra, a pensão Bristol está de volta à vida sintrense.

Como aquele anúncio do "talvez", talvez a época estival, talvez as férias, talvez sem chamar os media, talvez sem notícia, talvez para  ocultar o acontecimento.

Talvez existam silêncios, interesses em silêncios, gente que quer o silêncio. É Sintra.

Durante quase cinco anos, a enorme grua encostada à antiga Pensão Bristol, foi uma imagem de marca “monumental”, fotografada por sintrenses e turistas.

Cinco anos a fazer uma marca

Com o processo da recuperação licenciado, o Presidente da Câmara viu-se confrontado – faça-se a justiça de o dizer – com o embargo, movido por outras visões políticas e, quase certo, por pressões talvez mais subterrâneas.

Consequentemente, no tempo decorrido, foram causados danos à Câmara, com custos na assistência processual e adiamento do recebimento de impostos, mas a entidade promotora da recuperação do imóvel terá sofrido com a falta de rendibilidade do capital investido e custos adicionais, entre eles a manutenção da grua.

Recentemente, com a devida licença, a Bristol entrou de novo em obras, a todo o gás.

Na passada semana era grande a azáfama

Não se vêem agora os responsáveis activos e passivos pela paragem, enquanto que na Bristol foram retomadas as obras para a sua recuperação. Não se notam alterações tão significativas que tenham justificado o embargo sofrido.

Nestas coisas, é sempre mais fácil fazer silêncio e varrer os feitos para debaixo de qualquer coisa, não vá alguém lembrar-se de exigir aos responsáveis o ressarcimento dos danos causados, nomeadamente ao erário público.

Claro que o novo licenciamento não terá surgido por acaso.

A três meses da realização de um Congresso onde será abordado o tema das “Alterações Climáticas” (há dias na Gulbenkian houve outro – mundial – sobre o mesmo…) é óbvio que tão ilustres visitantes não deveriam ser confrontados com a imagem que nos foi oferecida (e a quantos nos visitaram) durante cinco (5) anos.

Custando a acreditar que alguém pretendesse que as obras na Bristol tivessem acabado antes do Congresso, é quase certo que aquela imagem tem de ser apagada.

No entanto, é meu convencimento que, por pedido expresso ou não, como mostra da dedicação ao património sintrense e à história do lugar, ao menos a fachada principal da Bristol estará pronta para poder ser apontada.

Noto que apenas de fachada.

Seria da maior transparência a divulgação das significativas alterações feitas sobre o processo inicialmente aprovado, para se retirarem as devidas ilações e sabermos o que efectivamente se passou que tivesse justificado um embargo, agora superado.

É o que os munícipes devem saber.

Aqui se reproduz o "Novo" Aviso de Licenciamento


Nota:

E as casas pombalinas que estão em ruínas por responsabilidades deste Executivo Camarário? Bem, pela lógica, apesar dos elevados custos, talvez voltem a ser “embrulhadas” como se verificou uns dias antes das eleições de 2005. Só para tapar as fachadas...

domingo, 14 de agosto de 2011

CURIOSIDADES...

As Gorduras...estão bem instaladas na vida !!!

Doca em San Francisco (USA)





sexta-feira, 12 de agosto de 2011

SINTRA E OS…"CONSIDERANDOS"

Uma certa curiosidade, que muitos classificarão como mórbida, leva-me a gostar de conhecer onde é aplicado o dinheiro dos nossos impostos e taxas, nomeadamente ao nível autárquico. Talvez não se use…mas eu gosto.

Admitirei tratar-se de uma obsessão psico-patológica, mas disso culpo os maus políticos, governantes sem ou com princípios que os comuns mortais não entendem.

Afectou-me a morte de duas senhoras africanas em Belas (insisto, em Belas) quando no dia 18 de Fevereiro de 2008 o seu carro foi arrastado para o Jamor. Para agravar os meus sentimentos, o facto de – só mais de quatro meses passados – então sim, surgir uma proposta do Vereador Marco de Almeida a atribuir uma verba de…200 euros à Cooperativa “Os Leõezinhos” para apoio aos familiares das vítimas.

A partir daí, obcequei-me na atenção à forma como se distribui o dinheiro em Sintra.

Hoje, no chamado site camarário, encontramos como “Documentos em Consulta Pública” vários Planos, Projectos e Contratos-Programa com contornos elucidativos, pelo menos para quem goste de estar atento a estas coisas.

De uma penada, são 9 (nove) contratos-programa de “Desenvolvimento Desportivo”, sendo 5 (cinco) de 1.000 euros, 1 (um) de 2.500 euros, 2 (dois) de 10.000 euros, e 1 (um) de 45.000 euros. Não se notam para fins culturais, entre eles bibliotecas itinerantes ou fixas em Associações Particulares de Solidariedade Social.

Temos Contratos-Programa com muitas páginas e letrados “Considerandos”, em que os custos administrativos, nalguns casos, são maiores do que o valor estabelecido.

De qualquer forma, 1.000 euros já é um sinal de “estamos cá”, “contem connosco”, tal como no Totobola se pode confiar cegamente no sorteio seguinte.

Nos casos de 10.000 euros, os planos são outros. Clube de freguesias, cujos donos são os sócios, os quais, devidamente motivados, deverão sentir-se gratos e obrigados. Uma “promoção desportiva” cai sempre bem, mesmo que os praticantes só possam usufruir se pagarem.

Quanto ao contrato-programa de 45.000 euros, isso sim, já tem outro peso e, inequivocamente, terá de fazer parte de um projecto bem estruturado, cujo prazo e amplitude nem sempre salta à vista dos mortais mais comuns.

Em seis folhas, onde os “Considerandos” quase tropeçam, apercebe-se que um dos representantes da Associação Outorgante, de Belas (insisto, de Belas), é o seu Presidente da Direcção, Luís Filipe de Jesus, um nome conhecido no atletismo.

Claro está que, nos “Considerandos”, não teria cabimento constar que o mesmo Senhor Luís Filipe de Jesus foi o último candidato da Coligação Mais Sintra à Junta de Freguesia de Belas, onde os eleitores, não acreditando na “dedicação total” prometida, deram a maioria à lista do Partido Socialista.

Estou em crer que o Executivo da Junta de Belas, com a lhaneza que a Câmara Municipal empresta a estas coisas, foi consultado sobre este contrato-programa que se cruza com as suas responsabilidades territoriais e disponibilidades financeiras.

Entretanto, por que não aceitarem-se sugestões sobre futuros candidatos à Junta de Freguesia de Belas? Comecemos pelos dorsais.



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O SEXAGENÁRIO “PLANO DE GRÖER” (2)

Isolar a classe operária: uma ideologia

O Plano de Urbanização de Sintra (PUS), assinado pelo Sr. De Gröer em “Lisboa 23 de Julho de 1949”, apresenta dados que rapidamente se desactualizaram, porque tinha em vista manter Sintra "fora do formigueiro das massas humanas". Isto é, fora do progresso.

O mesmo Sr. De Gröer, entre 1938 e 1948, elaborou um Plano de Urbanização para Lisboa (PGUEL) onde, dando prioridade ao zonamento, apresentou propostas viárias e estruturais para a evolução. Mesmo assim, o PGUEL foi revisto antes de fazer 10 anos.

Em Sintra foi diferente. O Plano, cheio das palavras “proibido”, “nenhuma” ou “não devem”, transporta uma imagem negativa e castradora de progresso.

Denotando uma fobia em relação aos “operários ou pequenos empregados em Sintra”, contabiliza-os e calcula a sua percentagem em relação à “população fixa”, para apurar “uma margem de segurança” relacionada com o “tamanho dos novos bairros operários previstos no Plano de Urbanização de Sintra”.

O “Regulamento da Zona de Habitação Operária” tem, praticamente, o dobro de Artigos do que qualquer uma das outras Zonas.

O Senhor Arquitecto entendia que o parcelamento dos terrenos deveria dar lugar a lotes com “superfície grande”, “com excepção sómente para os lotes destinados a casas operárias”(!).

E as crianças dos bairros operários? Criou dois jardins públicos para elas…porque os pais, geralmente, utilizavam os seus jardins particulares…“como hortas”.

Portanto, depois da “guetização” dos operários, as soluções preconizadas por De Gröer serviam a - por ele chamada -  "população burguesa" e dirigiam-se aos “habitantes” vindos a Sintra, garantindo “o sossego, o repouso e a intimidade que eles procuram fugindo de Lisboa para um mês ou dois de férias”. “Importa salvaguardar o bem-estar destas famílias”.

Não admirará que, sendo o PUS elaborado a seguir ao de Lisboa, possam ter havido influências para que Sintra acolhesse uma camada restrita de veraneantes lisboetas.

Hotéis com mais de 20 quartos, só depois de uma lista de exigências cumpridas e um Júri que incluía o…Secretariado Nacional de Informação, o tal SNI do lápis azul.

Graças ao Sr. Arquitecto Étienne De Gröer, Sintra pode agora oferecer um repousante caravanismo selvagem junto ao Centro Histórico (que melhor sítio para um mês de férias?), enquanto inalamos o escape de longas filas de carros desde S. Pedro ou na Volta do Duche, apreciando os peões em pitorescas corridas no meio da confusão.

E, para Sintra se poder ufanar com a qualidade turistica, temos um anel de motéis, fora da Zona do Plano, os quais só abonam os responsáveis e deleitam os utilizadores.

Nitidamente o PUS destinava-se a uns privilegiados, sem misturas de operários.

O documento de há 62 anos reflecte a ideologia dominante daquele época. E agora? 

domingo, 7 de agosto de 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

6 DE AGOSTO DE 1945 - PARA QUE NUNCA MAIS SE ESQUEÇA

As sirenes vão tocar por todo o Japão, numa comovente chamada.

Faz hoje 66 anos que, pelas 8,15 horas, foi lançada sobre a cidade de Hiroshima a primeira bomba atómica, causando de imediato mais de 70 mil mortes, com a maior parte dos corpos incinerados. As mortes viriam a ser mais do dobro, deixando milhares de crianças e adultos com doenças até ao fim das suas vidas.

No local, ainda hoje se podem ver as consequências da explosão da bomba "Little Boy", paradoxalmente levando a morte a tantas crianças.

Edifício Memorial da Paz - Património Mundial da Unesco

Esta a maquete da cidade, antes da explosão nuclear

A destruição foi total, tudo ficando pulverizado

Memorial às Crianças pela Paz e a Sadako Sasaki - vêem-se origamis nas vitrines

Este memorial recorda a jovem Sadako Sasaki, que viria a morrer contaminada pelas radiações e que gerou uma corrente de solidariedade com mais de 300.000 origamis feitos pelas crianças de todas as escolas do Japão.

No Parque Memorial da Paz em Hiroshima existe uma urna de pedra, com abertura, onde ainda hoje são introduzidos os nomes dos que morrem e que foram vítimas do bombardeamento.

Permitam a sugestão de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas inocentes de tão grande calamidade.

Associo-me a quantos, pelo mundo fora, pressionam para que o risco nuclear seja eliminado e acabem as armas de destruição em massa. Nesse dia, a chama permanente que existe no Parque Memorial da Paz será apagada. Mas só nesse dia.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

SINTRA: O SEXAGENÁRIO “PLANO DE GRÖER”

O Jornal PÚBLICO de 29 de Julho, noticiou a apresentação – ao executivo camarário – da “proposta preliminar de revisão do Plano de Urbanização de Sintra (de Gröer)”.

Trata-se de uma notícia de relevante interesse para os sintrenses, numa altura em que o Plano de Urbanização de Sintra (PUS), por ter comemorado os seus 62 anos de serviço público oficial, adquiriu o direito à merecida reforma.

No denominado site da Câmara Municipal de Sintra seria informação obrigatória. Mas, nem uma palavra sobre tal proposta preliminar, o que poderá indiciar uma ou duas coisas: irrelevante valia factual ou manobra de diversão para animar as notícias estivais. A discussão pública nem é para já...será mais para o fim do Verão.

Acusações ao sexagenário Plano

De vez em quando, para obstar ao desenvolvimento mas em nome de qualquer coisa nem sempre bem percebida, há quem “agarre” no PUS e, fazendo dele cartilha, invoque muitas das suas disposições, naturalmente as limitadoras.

Infelizmente, por parte de alguns dos seus defensores, é notório o alheamento em questões sobre as quais – concomitantemente – se poderiam preocupar.

O PUS, cujos méritos teve, certamente, na época da elaboração, rapidamente foi ultrapassado pela vida, pelo desenvolvimento social e consequentes migrações.

O Plano, elaborado em 1949, constitui uma excelente peça histórica que importa salvaguardar, mas que hoje em dia está obsoleto. Tornou-se numa arma para amedrontar políticos ambiciosos, sempre em fuga de quaisquer contestações.

Apesar disso, não impediu que, em Vale dos Anjos, se tenha licenciado uma monstruosa construção que, segundo parece, terá sido uma proeza mundial ao resultar da soma de vários pequenos espaços espalhados numa quinta.

Tal como, um pouco por todo o lado, se notam contradições com o Plano.

Pormenores interessantes, fora de época

Para ajuizarmos da época e das regras do PUS, e comprendermos alguns defensores, diga-se que o Sr. De Gröer preconizava uma “Zona de Habitação Operária”, tendo escrito num dos Artigos (felizmente retirado pelo C.S.O.P. - o 24/d): “As casas da Zona Operária não devem ser nem alugadas a veraneantes e turistas, nem vendidas a pessoas pertencentes à classe média ou abastada”.

Insistia que, para conhecer a importância a dar aos “bairros de habitação operária”, precisaria de saber a “proporção entre o número de população burguesa e o da população operária”.

Não localizando alusões do Sr. De Gröer ao uso de fatos-macacos ou ao cheiro de suor dos operários, entendi como sua a preocupação para que não existissem misturas, tendência classista a que o Plano se vinculou, para gosto de alguns.

Suportou-se, para elaborar o PUS, em alguns dados: - “Empregados da Câmara” eram 160; os “serviços municipais de água e dos esgotos” empregavam 21; e que, nos meses de inverno, as assinaturas da C.P. para o percurso Sintra - Lisboa, na “3ª. Classe”, envolviam 186 pessoas.

Evidentemente que o Arquitecto De Gröer, apresentou uma série de sugestões para o desenvolvimento turístico de Sintra, sugerindo locais para a implantação de unidades hoteleiras. O quase nulo aproveitamento dessas sugestões leva a pensar se alguém, ao abrigo de outras opiniões do mesmo PUS, as conseguiu embargar…

Sugeriu a construção de dois elevadores, um para se chegar ao Monte Sereno e outro ao Castelo dos Mouros, sem que tivessem avançado.

Por último, é interessante dizer-se que o Senhor De Gröer não morria de amores pelos eléctricos, tendo proposto a sua substituição por “auto-carros” ou “trolley-busses”.

Com um quadro de vida totalmente desenquadrado da realidade actual, o actual Plano de Urbanização de Sintra, elaborado pelo Arquitecto De Gröer, não apresenta qualquer viabilidade de progresso e é um documento sem sentido.

Na realidade, teve o mérito de engavetar o progresso de Sintra durante 62 anos.

Confia-se que a nova geração de homens e mulheres de Sintra encontrará o caminho adequado a Sintra e ao seu indispensável desenvolvimento.


.