segunda-feira, 11 de julho de 2011

SINTRA 2010: PASSIVO (exigível) ATINGIU OS 133,889 MILHÕES €

DÍVIDA DOS MUNÍCIPES SINTRENSES NO FINAL DE 2010 !

Depois do texto de 2 de Junho, vejamos a situação financeira do município onde vivemos, tomando em conta alguns dados do Relatório de Gestão 2010.

Em 31.12.2010, os munícipes (através da CMS) estavam endividados em mais 37,430 M€ do que em 2009, ou seja, o Passivo (exigível) por terceiros atingiu 133,889 Milhões de euros, sem incluir as dívidas contraídas por empresas municipais.

As dívidas a Médio e Longo Prazo (empréstimos e outros credores) chegaram aos 99,697 M€, mais 41,801 M€ do que em 2009. Acrescia, para regularização a Curto Prazo, mais 7,7 milhões de euros.

As dívidas a “Fornecedores” ascendiam a 15,99 Milhões de euros (*). Segundo a CMS, as facturas com atraso superior a 360 dias somavam 5,734 Milhões de euros!

Fica-nos a ansiedade sobre o recurso a novos empréstimos ou compromissos.

Que sinais de desenvolvimento tivemos?

Uns flashes empolaram feitos. Umas quantas promessas não se confirmaram. Os balões eleitorais esvaziaram rapidamente depois dos actos.

Parques periféricos para ajudar ao desenvolvimento? Nada. Ciclovias, uma promessa em 2002 para 2009 nem pensar. Piscinas? Linhas de Alta Tensão enterradas? O SATU, esse maravilhoso transporte protocolizado a 10 anos, foi campanha eleitoral. O Pólis do Cacém não justifica tudo. O Eléctrico recuperou-se graças a mecenato. 

A promessa de se acabarem algumas Empresas Municipais não passou de fait divers, continuando os elevados gastos com administradores e assessores,  alguns quase “missionários” políticos em silenciosas meditações revolucionárias,  outros silenciados sabe-se lá porquê,  mas todos caros, muito caros.

A política de “subsídios”, “apoios”, “comparticipações”, “protocolos” e “contratos-programa” foi-se alargando. Centenas e centenas de milhar de euros foram para relvados sintéticos e clubes - que são dos sócios - mas em zonas habitacionais das mesmas freguesias (S. Pedro é um exemplo), podem ver-se terrenos camarários com mato, em vez de jardins ou pequenas bibliotecas.

O campo dos subsídios é um daqueles onde, principalmente em época de crise, mais pretende entrar o lóbi dos especialistas da mão estendida, que tudo tentam para se misturar com aqueles que, inequivocamente carenciados, devem ser apoiados.

Sintetizando, se olharmos à nossa volta, as freguesias não mostram indicadores de desenvolvimento ou realizações colectivas compatíveis com os gastos conhecidos.

A crise (ou não) que temos

O elevado montante da dívida a fornecedores, pelo atraso nos pagamentos, atinge o tecido empresarial de uma forma que deve levar à meditação dos responsáveis autárquicos, uma vez que daí advêm gravíssimas consequências.

Para agravar as preocupações, o património imobilizado (terrenos, edificações) - uma das garantia dos créditos - está a ser desvalorizado em consequência da crise.

Mas será que há dificuldades financeiras? Nem todos os dias.

Para justificar a estagnação, invocam-se dificuldades financeiras. Depois anunciam-se gastos de milhões com um certo entusiasmo acrescidos de promessas gastadoras.

Recentemente a Câmara Municipal de Sintra gastou 11803 euros numa recepção a Federações de Basquetebol, a que se seguiu um passeio para cerca de 150 pessoas.

Quanto custará o Congresso anunciado para Novembro para discutir as "Alterações Climáticas" nas cidades Património Mundial, cujo interesse em organizar apenas foi manifestado por outra cidade?

Hoje, o Congresso de Sintra ficou praticamente esvaziado pela Conferência Mundial sobre Aquecimento Global, que está a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, com 112 comunicações sobre "Alterações Climáticas" e soluções para minimizar o "aquecimento global".

Esta a "DEDICAÇÃO TOTAL"  a Sintra.

Nós pagamos sempre.



(*) - O denominado site da CMS publicou (sem qualquer assinatura de responsabilização) uma Relação de dívidas a fornecedores em 31.12.2010, com valores diferentes dos constantes no Relatório de Gestão 2010.   

ESCLARECIMENTO: 
Alguns dados poderão sofrer pequenas correcções. Em termos gerais (incluindo o PASSIVO exigível) os desvios serão irrelevantes. O Relatório de Gestão 2010, aprovado em Assembleia Municipal e legalmente tornado público, esbarrou com a recusa institucional em me ser facultado. Segue uma pequena reprodução:

(Do Relatório de Gestão 2010)

6 comentários:

Anónimo disse...

Estou perante um Sr. com S grande, obrigado pelo seu trabalho e pelo interesse que tem demostratdo ,por divulgar aquilo que se passa na n/ Câmara (e que não se devia de passar), por isso todos nós estamos a pagar uma factura muito alta, com o desemprego,e sem esperanças no deselvolvimento do n/ concelho, e com uma gestão tão má onde vamos parar.

Manuel Lopes disse...

Engraçado é que não à por aí imprensa atenta a isto e fazem entrevistas do blá blá blá e o homem sempre a esbraçejar a botar muita cultura verbal.

João Cachado disse...

Amigo Castelo,

Deixe lá, "água mole...

- Sintra merece as suas chamadas de atenção. Sem desfalecimento -

(...) tanto bate até que fura!".

Neste momento, em deslocação de trabalho, na belíssima cidade de Angra, na Ilha Terceira, também património da Unesco, só tenho pena de não poder desfrutar de uma série de benefícios locais que fazem deste um lugar com muito boa qualidade de vida. Ainda há sítios assim.

Abraço grande

João Cachado

neves de carvalho disse...

Novos emprestimos? Quem os vai pagar e como vão ser pagos? Polis do cacem? mas quem custeou? E quando vai acabar?
Acabar empresas municipais! ainda há dias foi nomeado mais um amigo para a "EDUCA" porque ia ficar sem "emprego" como presidente de junta, em 2013

António disse...

Ora aqui temos explicado com muita coragem e de forma a que todos percebam, aquilo que muitos fingem não querer ver, incluindo a imprensa regional, (compreende-se, talvez por não terem pessoal habilitado)já para não falar na nacional. É mesmo uma vergonha. Então será que tudo o que aqui se explica não é verdade? Meus senhores, o mínimo que se pode perguntar é onde é que estão as obras onde foram gastos estes Milhões todos? A Vila de Sintra está cada vez mais suja, de notar que Sintra não é só a estação de comboios a Câmara e o Palácio.
Mas, ainda o pior disto tudo, é que os Sintrenses e Saloios, na sua maioria estão atacados de miopia e, só conseguem distiguir as cores e mal.

Anónimo disse...

Devia haver uma auditoria rigorosa às contas exigindo-se uma explicação aos gastos.

Mas ainda vivemos numa republica das bananas onde os politicos dizem, porque lhes dá jeito , " o julgamento é nas próximas eleições e efectuadas pelo povo".Mas está errdado, os dinheiros mal gastos devem ser considerados crimes públicos apontando-se o dedo aos seus responsáveis ,julgando-os em tribunal pelos seus actos.

As coisas estão a mudar e acredito que em breve se vai acabando esta fantochada.

Não se pode permitir que se gastem milhões de euros mal gastos e continuem alguns politicos preocupados com a sua imagem fechando os olhos as prejuizos que eles próprios vai criando.

VERGONHOSO

Vitor Silva
Mem Martins